
Magalhães, o verdadeiro português, navegador, fez a sua viagem de circum-navegação ao serviço de Espanha. Terá isso feito dele espanhol? Não é o que rezam as crónicas.
Já o Magalhães do século XXI, computador estrangeiro baptizado à nascença como Classmate PC, foi pomposamente anunciado em todos os jornais e telejornais como sendo 100% português. Bastou mudar-lhe o nome e vestir-lhe uma roupa nova, et voilá, aí está um produto made in Portugal. Se assim é, talvez seja preciso reescrever a história e chamar o velho Fernão de Magallanes, e não de Magalhães.
Ainda uma reflexão: quando Valentim Loureiro andou, em pré-campanha, a oferecer electrodomésticos em Gondomar, foi acusado por todos de populista barato. E Sócrates a oferecer computadores às crianças é o quê? Um serviço à nação? Desconfio que os microondas oferecidos por Valentim foram mais úteis do que vão ser estes computadores, que não passarão de uma forma de os alunos ludibriarem os professores, jogando no computador enquanto fingem que trabalham. Com telemóveis e game boys sempre era mais difícil, que os sacanas dos professores implicavam com a presença dessas maquinetas na sala de aula.